terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Por mais pessoas interessantes nesse mundo


Precisando de um colorido nessa vida.
 
 
E como disse Martha Medeiros:
 
"Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida."

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Projeto mais leveza


 
 
Coloquei tambem no meu projeto mais leveza a meta da leveza física, porque alma leve e corpo pesado complica. Há uns anos que eu penso em perder uns quilos que se apegaram a mim depois que mudei pra cá, frutos de muito sedentarismo, mas eles não se desapegam facilmente e nem eu ralei pra que isso acontecesse, então somente pensar não muda nada. Ano novo e eu já comecei a comer menos e me movimentar mais.
 
A ideia era entrar pra uma academia, mas como moro longe, ainda vou ao curso de norueguês uma vez na semana e tento estudar pelo menos mais um dia da semana em casa, fica difícil priorizar a academia agora, então estou adiando mais pro meio do ano. Como não rola academia eu tento me movimentar o máximo possível, caminho dentro de casa mesmo, subo e desco escada, idem no trabalho, vou à rua, shoppings, ontem peguei ônibus e desci várias paradas antes da minha, enfim, já ajuda. E tenho escolhido o que colocar no prato, isso é mais difícil tendo em vista que já tenho uma alimentacão saudável, então estou reduzindo mesmo e cortando o que posso.
 
Mais um texto inspiracão:
 
A leveza que procuro, de Ana Paula Padrão
Publicado na IstoE Independente.
 
"Os budistas estão certos quando dizem que o desejo é a fonte de toda a frustração"
"Pode ser que seja a ocasião. Fim de ano em geral é hora de balanço. Pode ser que seja a idade. Muita gente me diz que, depois de um certo ponto na vida, bate uma profunda necessidade de ser mais leve. Os antroposóficos falam em ciclos de sete anos que vão levando você a trocar a casca e renovar sua personalidade. Os astrólogos explicam que a posição dos planetas justifica o ímpeto. Seja lá o que for, de uns tempos para cá me deu uma vontade louca de me livrar dos cacarecos que a gente carrega sem perceber! E não estou aqui falando apenas do lixo físico acumulado atrás das portas, entupindo gavetas, empilhado em prateleiras. Falo dos apêndices existenciais.
Comecei jogando coisas fora. Doei quase tudo que tinha pendurado no armário e não usava há mais de seis meses. Sapatos e bolsas incluídos na faxina. Depois remexi a papelada. Bilhetes, documentos, fotos antigas, pessoas que não estão mais aqui e que talvez nunca tenham estado comigo de verdade. Não tive vontade de participar da febre consumista natalina. Não quis presentear e isso não tem nada a ver com falta de generosidade. Aí a coisa ficou séria. Olhei o apartamento de soslaio. Será que eu preciso mesmo de tudo isso? Tanto peso acumulado, uma tranqueira danada para administrar. Para quem vive reclamando do tempo, gasto tempo demais com o que não é essencial.
Essencial é um conceito de difícil definição. Varia conforme quem você é. Mas os budistas estão certos quando dizem que o desejo é a fonte de toda a frustração. Não possuir aquilo que se deseja nos traz infelicidade e insegurança. O essencial, portanto, tem a ver com o mínimo. A menor fatia de coisas a carregar e que trarão a você conforto e paz. A leveza que de alguma forma procuro, sei lá por que, é a de uma existência menos pesada e mais condicionada ao prazer – o que quer que seja que dê a cada um de nós prazer.
A dedicação ao prazer dá trabalho. Exige um monte de coisas que não estamos acostumados a entregar facilmente. A primeira, como eu já disse, é tempo. Tempo inclusive para elencar o que significa prazer individual e que não tem nada a ver com aquilo que se vende todos os dias em tantas propagandas em tantas mídias. (Nada contra compras, apenas um ligeiro bode com o excesso. O dispensável teria me poupado não apenas dinheiro. Teria me economizado energia fundamental de vida. Aquilo que ultrapassa o necessário faz você ficar pesado. Como se arrastasse correntes por aí. Estou me livrando das assombrações.)
Estou procurando o prazer. Por trás daquilo que posso decidir ter quero encontrar o que me faz bem ter. Ou não ter. Produzir me dá prazer. A pressa na produção me rouba o mesmo prazer. Viajar me dá muito prazer. Mais pela viagem que pelo destino. O outro me dá prazer. Pela descoberta, pela troca, pelas diferenças. O contraditório me dá prazer. Tudo igual me tira. Gostar de mim me dá prazer. Esperar que o outro também goste me tira. O essencial está aqui comigo. Estou jogando fora o que não é essencialmente meu. O eu das coisas e dos outros. Ficarei bem levinha. Para engolir tudo que de essencial 2014 possa me oferecer."
 
Foto: minha

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sem pressa


 
Uma das minhas metas pra 2014 é desacelerar o máximo possível, parar de viver com pressa, afinal temos 24 horas por dia todos os dias, dá pra aproveitarmos bastante e fazermos tudo, ou quase. Tenho percebido que quanto mais pensamos no tempo, quanto mais nos apressamos para fazer coisas, quanto mais corremos contra o tempo, menos fazemos, acredito que principalmente porque perdemos o foco e a concentracão.

Em dezembro, no trabalho, tínhamos como meta finalizarmos quase tudo possível para assim tirarmos uma folga do dia 23 de dezembro a 02 de janeiro, eu me acalmei, já tinha me meta de não estressar com o que exige pressa, e conclui tudo com tranquilidade, mas minha colega estressou e comentou sobre o pouco tempo e a quantidade de trabalho que tinha pra fazer, ainda mais reclamou das atividades sociais que tinha e exigiam tempo, enfim, ela estressou tanto que eu fiquei preocupada dela ter algum problema de saúde.

O que eu percebi foi que enquanto ela falava e estressava, ela perdia a concentracão e o foco e assim perdia energia e tempo pra realizar o que precisava ser feito, aproveitei a experiência que vi minha colega passar, para pensar sobre o assunto e cheguei à conclusão que quero mais é desacelerar e assim render mais em todos os setores da vida.

O afastamento das redes sociais na medida do possível é uma das atitudes que estou tomando para desacelerar. É incrível a quantidade de informacão, na maioria das vezes totalmente irrelevante e dispensável (nem ao menos diverte),que recebemos todos os dias através da internet e em especial das redes sociais, pra quem é usuário, claro.

Hoje encontrei esse texto que achei bem interessante e compartilho aqui, foi também através do texto que cheguei ao livro Devagar, de Carl Honoré, o qual pretendo ler em breve e ao vídeo que postei a uns dois posts atrás. Quero mais é ser dona do meu tempo e não o tempo de mim.

O texto é Viver Sem Pressa, de Leila Ferreira (Daqui):

“A ficha caiu na Ilha de Páscoa, um dos lugares mais remotos do planeta. Depois de um ano estressadíssimo, minha amiga Juliana N. tirou férias merecidas e incluiu no roteiro uma visita à ilha dos gigantes de pedra (os “moai”), que pertence ao Chile, mas fica a quase 4 mil quilômetros da costa chilena. Chegando lá, decidiu que seu primeiro programa seria assistir ao pôr do sol. Juliana fez o check-in às pressas no hotel e, mais apressada ainda, saiu em direção à praia. Foi no meio do caminho que ela se deu conta de que estava correndo. Suada e com a respiração ofegante, parou e se perguntou: “Estou correndo pra quê?”. No meio do Oceano Pacífico, com quatro dias pela frente e nenhum compromisso na agenda, ela estava se comportando como faz o ano todo: com pressa, ansiedade e estresse. “Fiquei com medo de perder o pôr do sol”, conta. “Como se fosse uma consulta médica ou uma reunião da minha empresa.” Naquela hora, viu que tinha que mudar sua relação com o tempo.
 
No mundo da pressa, ter tempo é o luxo supremo — e, mesmo sabendo disso, continuamos correndo, roubando de nós mesmos qualquer possibilidade de tempo livre ou menos apressado. Recentemente, entrevistei o canadense Carl Honoré, autor do livro Devagar, que propõe a desaceleração como um caminho para se viver melhor. Não se trata de voltar ao passado nem adotar o ritmo das lesmas e dos caracóis, mas de ter pressa quando faz sentido. “A velocidade vicia”, diz Carl Honoré.“E nós estamos viciados nela. Na nossa cultura ‘fast forward’, palavras como ‘lento’ ou ‘devagar’ estão virando palavrões. Perto da minha casa, em Londres, tem uma academia dando cursos de ‘speed yoga’! E, nos Estados Unidos, já existe o funeral ‘drive-through’, no estilo McDonald’s: você dá uma paradinha e, sem descer do carro, dá uma olhada no caixão.”
 
Um ex-viciado confesso em velocidade, Carl Honoré conta que a ficha dele caiu quando estava para comprar um livro com histórias de um minuto para crianças: “Eu achei que iria economizar um bom tempo com meu filho de dois anos, que gosta de ouvir várias histórias antes de dormir, e assim ia ter mais meia hora pra ler o jornal, responder e-mails etc. Só que aí me dei conta do absurdo da situação”. Foi assim que ele começou a pesquisar a cultura da pressa e, acima de tudo, a mudar seu ritmo de vida. O canadense lembra que a primeira coisa que a gente faz hoje, quando acorda, é ver que horas são e, a partir daí, não para mais de correr contra o relógio. A doença da pressa, segundo ele, além de levar à exaustão, estimula a raiva. Nada mais verdadeiro, penso. Vivemos irados, esbravejando contra os congestionamentos, as filas, o computador lento, as pessoas lentas, o táxi que não chega, o elevador que para em todos os andares, o remédio que demora a fazer efeito, a dieta que ainda não deu resultado. Tudo, hoje, é “para ontem”. E dois comportamentos estão deixando de existir: fazer uma coisa de cada vez e não fazer nada. Ficar à toa nos aflige. E só ouvir música, ou só responder e-mails, ou só conversar com alguém parece perda de tempo — é preciso “otimizar” a vida, fazer meia dúzia de coisas ao mesmo tempo, ainda que nada saia bem feito ou que a gente não encontre prazer em nada.
 
Pergunto a Carl Honoré que epitáfio ele escreveria para ele mesmo quando vivia correndo e agora, que sabe pisar no freio. O primeiro seria “Ele viveu e morreu com pressa”, responde. O segundo, “O tempo foi seu aliado”. Faço a mesma pergunta a minha amiga Juliana. Ela pensa e decide ficar com um epitáfio só: “Aqui jaz, exausta, Juliana, que correu até para ver um pôr do sol na Ilha de Páscoa”. Brincadeira. Ela, hoje, vive com muito mais calma. Também para Juliana, o tempo passou a ser um aliado.”
 
Foto: Google imagens